terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

41 ANOS DE EMANCIPAÇÃO DA CIDADE DE DIAS D'ÁVILA

 Fernando Gimeno  e Beto Magno 


*Por Fernando Gimeno 


Mais do que uma necessidade, uma obrigação.

24/02/2026

Amanhã fazemos 41 anos desde nossa emancipação política e administrativa, mas Dias d’Ávila ainda se ressente de situações básicas envolvendo decisões que deveriam ter sido tomadas logo após a emancipação, sem esperar decorrer tanto tempo.

Nos meus 79 anos de idade, 55 deles residindo nessa cidade que acolhi como a pátria do meu coração, venho comentando, escrevendo, levando ao ar em programas de rádio e falando aos quatro ventos a necessidade premente de definir e mapear o patrimônio material e imaterial de Dias d’Ávila. Não podemos admitir que após 41 anos ainda não temos algo que resguarde para a posteridade os bens materiais e imateriais da cidade, apesar de eu já ter confeccionado uma minuta de projeto para esse propósito, listando alguns pontos importantes e de interesse coletivo, tanto materiais como imateriais, pronto para receber sugestões que aprimorem ou completem esse trabalho.

A valorização do patrimônio cultural, histórico, artístico e ambiental de um território é essencial para fortalecer a identidade coletiva, preservar a memória social e promover o sentimento de pertencimento entre seus habitantes. No contexto municipal, essa valorização ganha ainda mais relevância, pois possibilita que a própria comunidade reconheça, proteja e transmita às futuras gerações os elementos que compõem sua história e moldam seu modo de vida.

A identificação e o registro dos bens culturais de um município são etapas fundamentais para a construção de políticas públicas voltadas à preservação, conservação e valorização desses patrimônios. Esse processo contribui diretamente para o fortalecimento da memória local, da educação patrimonial e do desenvolvimento sustentável por meio da cultura.

Uma das ferramentas mais importantes nesse processo é o tombamento, um ato administrativo por meio do qual o Poder Público reconhece e protege bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental ou artístico. Embora o tombamento imponha certas restrições à propriedade, ele não interfere na posse do bem, pelo contrário, garante respaldo legal para sua preservação, impedindo alterações que descaracterizem sua importância ou mesmo impeçam a sua destruição.

O termo “tombamento” remonta à Torre do Tombo, em Lisboa — o arquivo público onde eram e ainda são ─ guardados documentos considerados relevantes para a história portuguesa. Hoje, o conceito é amplamente utilizado no Brasil como forma de registrar e proteger bens materiais e imateriais de valor cultural. No país, o tombamento é garantido pelo artigo 216 da Constituição Federal e regulamentado pelo Decreto-lei nº 25, de 1937.

Mais do que um mecanismo jurídico, o tombamento é um instrumento de reconhecimento coletivo. Ele simboliza o compromisso da sociedade e do poder público com a manutenção das referências que formam a identidade de um povo. É por meio da proteção desses bens que se torna possível manter vivas as tradições, a arquitetura, os saberes, fazeres, festas, práticas religiosas e demais manifestações que constituem a riqueza cultural de um território.

Neste sentido, pretendemos conscientizar cada cidadão e avançar com a importante missão de elaborar um Inventário Cultural. Tal documento visa identificar, mapear, descrever e valorizar os bens culturais que compõem o acervo histórico da cidade — sejam eles imóveis, monumentos, sítios históricos, festas populares, ofícios tradicionais ou manifestações artísticas e culturais.

Necessitamos que a população tenha acesso ao conhecimento sobre seu próprio patrimônio, despertando o interesse pela sua conservação e uso consciente. Além disso, o inventário servirá como base para futuras ações de proteção e valorização do patrimônio local, orientando políticas públicas, projetos educativos e iniciativas de turismo cultural.

A construção deste inventário é, portanto, um passo decisivo para que Dias d’Ávila fortaleça sua identidade, honre sua trajetória e projete seu futuro com base em suas raízes culturais. Que este trabalho seja uma ferramenta viva de memória, orgulho e participação cidadã.

Com isso afirmo, mais uma vez, aproveitando a data importante do aniversário de 41 anos de nossa emancipação, para mostrar a importância dessa medida, expondo todos os fatos em rede social de vasto de alcance municipal, para que a população se manifeste e opine com respeito a tal medida. Agradeço a compreensão e apoio.




*Frnando Gimeno é professor, escritor, Historiador, Poeta e membro da ACB - Academia de Cultura da Bahia dentre outras.






sábado, 21 de fevereiro de 2026

A ÉTICA DE ESPINOZA

Beto Magno 

 

li em algum trecho do codigo de ética de Espinoza que o cidadão mesmo empenhando a palavra a outrem e posteriormente se sentintido injusticado ou vilipendiado, arrependido tem o pelo direio de viola-la e sendo assim violalo-a.
Essa passagem a que você se refere está na obra 
"Ética" (Parte IV, Proposição 40, Escólio) ou, de forma mais explícita, no Tratado Político de Baruch Espinosa. O resumo que você leu está correto dentro da lógica da filosofia espinosana.
Espinosa argumenta que o direito de alguém se estende até onde vai o seu poder (conatus). Portanto, a promessa ou o pacto só se mantém enquanto a sua causa (a utilidade ou o benefício que ele traz) durar.
Aqui estão os pontos-chave dessa argumentação:
  • A promessa depende da utilidade: Se, ao empenhar a palavra, a pessoa se sente posteriormente injustiçada, prejudicada ou vilipendiada, o pacto deixa de ser vantajoso e passa a ser prejudicial à sua existência.
  • A quebra é "racional": Espinosa defende que é tolice ou irracionalidade manter um pacto que causará ruína própria (injustiça). Se a pessoa tem o poder de violar o pacto para evitar a sua própria destruição, ela tem o direito de fazê-lo, pois o conatus (o desejo de perseverar na própria existência) é a base de todo o direito.
  • Arrependimento e Paixões: O sentimento de arrependimento ou de vilipêndio é uma paixão triste que reduz a potência de agir do indivíduo. Seguir a razão (agir eticamente) significa, para Espinosa, não se submeter a um pacto que o torna escravo ou infeliz.
A frase termina, de forma prática, concluindo que o indivíduo, ao sentir a injustiça, tem o "pelos direitos" de violar o compromisso e, sendo assim, a viola, preferindo o seu próprio bem-estar ao cumprimento de uma promessa que se tornou "má".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CADÊ MEU CARNAVA, OH SAUDADE


Gil Vieira Na Academia de Cultura da Bahi


Cadê Meu Carnaval, Oh Saudade


*Por: Gil Vieira


O Carnaval tradicional mudou. Passou por transformações profundas ao longo das últimas décadas e deixou para trás uma atmosfera que muitos descrevem como mais familiar, espontânea e musicalmente mais rica. A expressão *“bom Carnaval”* remete a um tempo em que a festa valorizava a simplicidade, a alegria coletiva e a convivência comunitária.


Eu — assim como tantas outras pessoas — sinto saudade da época em que o Carnaval girava em torno dos bailes de salão, dos blocos de rua, dos confetes e serpentinas, do samba-enredo com ricas letras, cantado com emoção. Era uma festa vivida sem o peso constante da insegurança, sem o medo de grandes tumultos ou da violência que hoje ronda a folia.


O Carnaval moderno, infelizmente, transformou-se em um evento gigantesco e, muitas vezes, arriscado. A própria mídia retrata esse novo cenário. No Carnaval de 2026, por exemplo, a abertura oficial em *Salvador* ocorreu na quinta-feira, dia 12. Apesar de uma redução de 46% nos registros de roubos em relação ao ano anterior, o governo estadual precisou mobilizar cerca de 37 mil profissionais militares para atuar nos circuitos da festa.


Em *São Paulo e Rio de Janeiro,* foram implantados esquemas especiais de segurança, com uso intensivo de videomonitoramento e drones. Ainda assim, os furtos continuam sendo um dos principais desafios da maior celebração popular do país.


Outro dado preocupante diz respeito ao assédio. Pesquisa divulgada pela *Agência Brasil* revela que 80% das mulheres temem sofrer assédio durante a folia de 2026, e quase metade afirma já ter sido vítima desse tipo de violência em carnavais anteriores.


Diante disso, fica a pergunta que ecoa no coração de muitos foliões de ontem: *cadê aquele Carnaval leve, seguro e verdadeiramente popular?*

*Oh saudade…



* Gil Vieira é advogado, Escritor, peta e membro da ACB Academia de Cultura da Bahia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

MACHADO DE ASSIS


 

*Por  Edivan Bezerra


Machado de Assis. Neto de escravos alforriados, filho de pintor de paredes pardo e lavadeira portuguesa. 


Epilético, gago, pobre. Tinha tudo pra não dar certo no Brasil Imperial de 1839.


Aprendeu a ler sozinho, em tipografia onde trabalhava aos 13 anos. Catava tipos metálicos, montava palavras, decorava. 


Lia jornal velho que ia pro lixo. Estudou francês com padeiro francês em troca de ajudar na entrega de pães.


Aos 16, publicou primeiro poema. Aos 25, era jornalista respeitado. Aos 42, lançou "Memórias Póstumas de Brás Cubas", romance narrado por DEFUNTO, ironia demolidora contra elite brasileira, técnica narrativa que Europa só usaria décadas depois.


Críticos literários internacionais colocam Machado no mesmo nível de Flaubert, Dostoiévski e Henry James. Harold Bloom (maior crítico literário do século XX) disse: "Machado de Assis é gênio negligenciado, deveria ser lido mundialmente como Kafka."


Mas Brasil mal ensina. Escola força adolescente a ler "Dom Casmurro" como obrigação chata de vestibular. 


Não explica que Machado estava destruindo hipocrisia da sociedade brasileira com ironia tão afiada que passa despercebida em primeira leitura.


Ele fundou Academia Brasileira de Letras em 1897 e foi primeiro presidente. Escreveu 9 romances, 200 contos, 600 crônicas, 10 peças de teatro, crítica literária. 


Tudo isso trabalhando como funcionário público do Ministério da Agricultura pra sobreviver.


Casou com Carolina Xavier, portuguesa branca, numa época em que casamento inter-racial era escandaloso. 


Ela morreu em 1904. Machado nunca se recuperou. Escreveu poema "A Carolina" considerado um dos mais belos da língua portuguesa. Morreu quatro anos depois, 1908.


Brasil tinha 16 milhões de habitantes. 100.000 foram ao enterro. Maior funeral da história brasileira até então.


E hoje? Adolescente brasileiro reclama de ler Machado. Acha "chato". Prefere resumo na internet.


Machado provou que genialidade não precisa de berço. Precisa de fome intelectual, disciplina e coragem de olhar pra própria sociedade e dizer verdades que ninguém quer ouvir.


Neto de escravo que virou maior escritor do Brasil.


E a gente nem ensina direito nas escolas.


* Edivan Bezerra é Membro da ACB Academia de Cultura da Bahia 

#MachadoDeAssis #LiteraturaB rasileira #HistóriaDoBrasil #GênioNacional #Superação #AcademiadeCulturadaBahia

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ACADEMIA DE CULTURA DA BAHIA

Allan de kard (artista plástico) e Beto Magno (cineasta) 

Noite de gala na Academia de Cultura da Bahia*


*Por: Gil Vieira 


A noite da última sexta-feira, 30 de janeiro, em sessão extraordinária, foi marcada pela solenidade de posse de novos membros da Academia de Cultura da Bahia. O evento contou com a presença de representantes de diversas academias culturais da cidade de Salvador, que lotaram as dependências do auditório do Hotel Portobello.


O encontro reuniu acadêmicos, autoridades, convidados e familiares, em um ambiente de celebração e prestígio. Foi uma noite verdadeiramente especial e inspiradora, enriquecida por palestras, declamações de poesias e apresentações musicais, cantadas e executadas pelos próprios membros da Academia de Cultura da Bahia.


Uma noite memorável, de profunda alegria e significado, que ficará para sempre marcada na memória dos recipiendários e de todos os presentes.


 


* Gil Vieira é Membro da Academia de Cultura da Bahia

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ACADEMIA DE CULTURA DA BAHIA ANUNCIA POSSE DE NOVOS MEMBROS

 

Academia de Cultura da Bahia anuncia posse de novos membros

Considerada uma das mais importantes do Estado da Bahia



Academia de Cultura da Bahia anuncia posse de novos membros
 (Foto: Agnildo Santos)


Fundada em 2004, a Academia de Cultura, é considerada uma das mais importantes do Estado da Bahia. tendo como objetivo principal o fomento das artes e da cultura a valorização e fortalecimento do setor cultural baiano, reunindo intelectuais e artistas. 

A ACB tem como presidente o advogado, músico, escritor, poeta e poliglota Benjamim Batista que vem conduzindo a casa com muito zelo, dedicação e credibilidade, não é à toa que ele foi indicado para o Guinness Wor World Records (Livro dos Recordes),  como a pessoa que mais academia fundou no mundo, Euzinho é responsável pela fundação de Academias na Itália, França, Portugal, Argentina e Espanha. Já no Brasil foram fundadas por ele academias nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Bahia. 

No território baiano existem 120 academias, e dessas, cem foram criadas por ele. Benjamim tem sido importante para a mudança de mentalidade, pois nas academias e instituições ligadas a letras espalhadas pelo Brasil só há 40 vagas disponíveis, mas ele enfatiza que é necessário haver mudanças, já que há vários outros nomes importantes que poderiam fazer parte desse grupo seleto de intelectuais, e acabam ficando de fora. 

As reuniões acontecem sempre na última sexta-feira de cada mês, e é realizada em sua sede no Hotel Porto Bello em Ondina.

Na ACB encontramos músicos reconhecidos, poetas, artistas, pesquisadores, radialistas, escritores, advogados, desembargadoras, profissionais da imprensa, embaixadora da paz na Organização das Nações Unidas (ONU), humorista, editorialista, empresários, historiadores, cineastas, médicos, professores universitários, padres, atores e atrizes, artistas plásticos e outras personalidades do mundo artístico/cultural e educacional. 

A posse de novos membros acaba de ser anunciada pela presidência, e vai acontecer na sexta-feira dia (30/01/2026), no Hotel Porto Belo.

Veja logo abaixo a lista dos nomes aprovados e que serão empossados: 

1.ABEL RIBEIRO DE JESUS 

2.ALDA RESENDE PEREIRA BORGES DE JESUS

3.ANTÔNIA DA SILVA SANTOS 

4.ANTÔNIO SILVA ROCHA 

5.BALMUKUND NILJAY PATEL 

6.CARLOS TEIXEIRA DINIZ 

7.CASSANDRA RAMOS AZEVEDO (BENEVIDES)

8.RITA DE CÁSSIA OLIVEIRA VALLE 

9.CELSO DA SILVA CUNHA NETO 

10.EUGÊNIO AVELINO LOPES SOUZA (XANGAI)

11.GILDETE ARAÚJO DE MELO 

12.JACI LARA SILVEIRA DE OLIVEIRA (LARAH OLIVEIRA)

13.JAILDA SILVA MOURA DOS SANTOS 

14.JANEIDE MARIA BORGES DE OLIVEIRA 

15.JOLIVALDO DA CRUZ FREITAS 

16.JOSÉ SANTOS CRUZ 

17.LUIZ SAMPAIO ATHAYDE JÚNIOR 

18.MANUEL ALVES DE SOUSA JUNIOR 

19.NILSON AQUINO o

20.PAULO HENRIQUE MENSITIERI ALMEIDA DA SILVA (PAULINHO JEQUIÉ)

21.RAMIRO ANTÔNIO MOREIRA OLIVEIRA 

22.RENATA DA SILVA LIMA PEREIRA 

23.RODOLFO SALES DE OLIVEIRA 

24.ROMÁRIO PEREIRA ROSA FILHO

25.SHEILA L.P. CERQUEIRA 

26.THAIS VIEIRA GÓIS DOS SANTOS

27.VALDEIQUE DE OLIVEIRA PEREIRA 

28.VERA LUCIA SANTOS DA SILVA FREITAS 

29.VITÓRIA SANTOS GAMA 


Fonte

Publicada em


 20/01/2026 às


 14:43 por


Agnildo Santos


 DRT/BA 0008947


 (Radialista) MTB/BA


 0006730 (Jornalista) 



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

AÇÃO!!!

 

C

Hoje começa uma nova fase na nossa produtora. Que 2026 seja um filme repleto de boas cenas, roteiros inspiradores e uma trilha sonora que embale cada passo nosso. Que as luzes continuem brilhando, que as câmeras nunca parem de rodar e que a criatividade de cada um aqui nunca esmoreça. Feliz 2026, com muito sucesso, parceria e arte para todos!

Beto Magno

É ISSO AI!

Beto Magno 


 Sou um indivíduo apaixonado e visionárioo, com uma mente curiosa e uma alma sensível. Com uma formação sólida e uma sede insaciável por conhecimentos, busco constantemente inovar e criar impacto positivo no mundo ao meu redor.

Com uma personalidade forte e criativa, sou capaz de inspirar e liderar pessoas, mas também sou humilde e empático, o que me permite construir relacionamentos profundos e significativos.

Sou um pensador independente e criativo, sempre procurando soluções inovadoras para desafios complexos. Embora isso possa causar desconforto em alguns, estou comprometido em usar minhas ideias e habilidades para fazer a diferença.

Sou grato por ter um círculo de amigos leais e respeitados, e estou sempre aberto a novas conexões e oportunidades para colaborar e crescer.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

MINHA CUBA, MINHA MÁXIMA CUBA!

 

Wilson Mello e  Nilda Spencer 


*O mais irreverente dos atores baianos, Wilson Mello volta à cena em documentário de Júlio Góes* 


*_Albenísio Fonseca_*


Como um brinde à memória da dramaturgia na Bahia, o mais irreverente dos atores baianos, Wilson Mello está sendo homenageado com documentário - imperdível -  sobre sua trajetória existencial e profissional. A estreia nas telonas de cinemas, em Salvador, está programada para este 20 de novembro, às 19h, no Cinema do Museu (Corredor da Vitória).


Famoso, também, por sua vida boêmia nas noites da capital baiana, o título do filme - "Minha Cuba, Minha Máxima Cuba" - revela Júlio Góes, criador e diretor do documentário - vem da expressão com que ele se dirigia aos garçons a solicitar ("cantando ou aos brados") sua bebida predileta, a Cuba Libre - um coquetel clássico, drink que mistura rum com coca-cola e limão - mas em chiste com a sagrada profissão de fé confessional da igreja católica, _mea culpa, mea maxima culpa_. frase latina que significa "por minha culpa, minha mais grave culpa". 


Ou seja, a expressão de arrependimento muito forte, popularizada na oração católica do Confiteor, usada para admitir um erro ou pecado com a maior ênfase possível, vira um sarcasmo, uma ironia sem direito ao perdão, mas ao prazer, na boca do artista enebriado. 


QUASE 5 DÉCADAS EM CENA 


O renomado ator brasileiro, particularmente proeminente na Bahia, teve uma carreira de quase cinco décadas, com notável atuação tanto no teatro quanto no cinema. Ele faleceu em 2010, aos 77 anos, devido a complicações de hipertensão e trombose. 


Mello - ou Melão, como era carinhosamente tratado pelos amigos e colegas de profissão - sempre foi celebrado por suas contribuições ao teatro, tendo atuado em mais de 100 peças, incluindo atuações marcantes como em "Quincas Berro d'Água" e "Lábios que Beijei", contracenando com a excelente atriz Nilda Spencer (1923-2008), sob direção do então desconhecido Paulo Henrique Alcântara. Bem recebido por público e crítica, o espetáculo foi marcado, sobretudo, pelo encontro e desempenho desses dois extraordinários atores.


Vale citar, ainda, entre outros inúmeros trabalhos de palco onde se destacou, "Horário de Visitas", de Ewald Hacler; Eles não usam Black Tie, de Gianfrancesco Guarnieri; "A vida de Eduardo II", dirigida por Eduardo Cabús. 


Do mesmo modo que protagoniza, agora, o 'gran finale' da série "Longas Bahia", da distribuidora Abará Filmes e Vídeos, seu último espetáculo teatral foi "O Terceiro Sinal", dirigido por Deolindo Checcucci, em 2008. 


O ator tem entre seus trabalhos mais marcantes duas montagens da peça "Quincas Berro d‘Água". A primeira encenada em 1972, em adaptação de João Augusto e a segunda em 1996, com direção de Paulo Dourado, que inaugurou a Sala do Coro do Teatro Castro Alves, em Salvador. Em 2001, fez "Ensina-me a Viver", sob direção de José Possi Neto.


Wilson Mello foi, além do mais, uma influência significativa e mentor de muitos jovens atores baianos. 


FILMOGRAFIA EXUBERANTE 


Sua exuberante filmografia - com vários trechos exibidos, agora, no documentário - inclui títulos como "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Bruno Barreto, 1975; "Diamante Bruto", de Orlando Senna, 1977; "Antônio Conselheiro", de José Walter Lima, e "A Guerra dos Pelados", de Guga de Oliveira, 1977; "J. S. Brown, o Último Herói", de José Frazão, 1980; Jubiabá", de Nelson Pereira dos Santos, 1987.


E tem mais: "Tieta do Agreste", de Cacá Diegues, 1996; "Cascalho", de Tuna Espinheira, 2004; "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, 2005; "Eu Me Lembro", de Edgar Navarro, 2005; "Jardim das Folhas Sagradas", de Pola Ribeiro, 2009. Destaque-se, ainda, "Fronteira das Almas",1986, de Hermano Penna; "Tenda dos Milagres", 1977 e "Jubiabá", 1987, dos livros homônimos de Jorge Amado (10.08.1912 - 05.08.2001), sob direção de Nelson Pereira dos Santos, entre várias outras películas. 


Wilson Mello é lembrado não apenas por seu talento artístico, mas por seu estilo de vida descontraída, dedicação ao ofício, humildade e amizade com a comunidade cultural. 


O documentário demonstra seu reconhecimento nas ruas, por populares, e depoimentos sobre a trajetória marcante do ator por personalidades artísticas como o cineasta e pintor José Walter Lima, o diretor teatral Paulo Dourado, a professora e dramaturga Cleise Mendes e outras tantas a saudá-lo reconhecida e festivamente, além de trechos de suas performances.


Vale lembrar que a estréia de Wilson Mello como ator profissional foi na inauguração do Teatro Vila Velha em 1964, no espetáculo "Eles não usam Black Tie", de Gianfransceco Guarnieri, com a Companhia de Teatro dos Novos. 


A montagem de João Augusto Azevedo foi dedicada aos habitantes dos Alagados. A versão apresentou 40 personagens e contou com a participação da Batucada da Escola de Samba Juventude do Garcia.


*Diretor dedicou cinco anos*

*à pesquisa sobre o ator*


O diretor Júlio Góes tem atuação nas artes cênicas e audiovisuais, com experiência profissional em São Paulo e Salvador.


Já atuou como diretor, autor, ator e colaborador em diversos projetos teatrais e cinematográficos e se destaca, ainda, por sua participação como corroteirista e colaborador na adaptação da peça teatral "Brazyl: Poema Anarco-Tropicalista", de José Walter Lima. 


A propósito, segundo Walter Lima, "o Brasil precisa conhecer o trabalho desse fabuloso ator, originado na mesma geração de Othon Bastos no Teatro Vila Velha, quando ambos foram dirigidos pelo genial encenador João Augusto de Azevedo". 


-- Wilson Mello, embora tenha permanecido na Bahia - como estipula Walter Lima - desenvolveu uma carreira com grandes diretores, sem nenhuma barreira entre o cômico e o dramático. Surgiu como uma figura de destaque na vida artística baiana nos anos 60, em um paraíso urbano perdido, repositório de memórias e sensações a serem transmitidas, onde muitos ainda guardam histórias para recontar sobre o desempenho dele como ator. 


Para o cineasta, "com sua simpatia tonitruante, seu humor à flor da pele, sem impor o pensamento ou sua presença, ele fazia melhor, seduzia com afeto e gentileza, o que é algo de muito importante para a evolução do artista brasileiro e do povo em geral enquanto referência de si mesmo. Ou, vale considerar como uma forma de salvamento da história do Teatro Baiano, da memória antropológica, estética e cultural do povo baiano, contribuindo para a definição de sua singularidade identitária".


Para o filme "Minha Cuba, minha Máxima Cuba", sobre o ator Wilson Mello, Júlio Góes dedicou-se em extensa pesquisa ao longo de cinco anos. Mello morreu tranquilamente em 29 de maio de 2010, em sua residência, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, mas, pelo visto, frente a sua saga e força dramática, permanece vivo e em cena. 


*FICHA TÉCNICA*

Direção: Júlio Góes 

Brasil | Ano 2025 | Longa-Metragem | Documentário | Português, 


*Produção:*

VPC CinemaVideo,

Abará Filmes e Og CINELAB são co-produtoras do filme.


*SERVIÇO*

Estreia do documentário, longa-metragem, "Minha Cuba, Minha Máxima Cuba"

Quando: 20 de novembro

Horário: 19h 

Onde: Sala de Arte do Museu (Corredor da Vitória - Salvador).


*DISTRIBUIÇÃO:*

Minha Cuba, Minha Máxima Cuba, de Júlio Góes é o quinto de cinco longas-metragem distribuídos pela Abará Filmes, dentro da Série Longas Bahia que inclui "1798 Revolta dos Búzios", de Antonio Olavo; "Revoada", de José Umberto Dias; "Brazyl, uma Ópera Tragicrônica", de José Walter Lima e "Aprender a Sonhar", de Vítor Rocha.


A distribuição é financiada pela Lei Paulo Gustavo - Bahia, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura (MinC), e a produção tem financiamento do MinC e da Ancine/BRDE/FSA, Governo Federal.


Fonte: Og Cerqueira 

domingo, 26 de outubro de 2025

BELCHIOR, UM POETA ESQUECIDO

BELCHIOR, um poeta esquecido

Por: Gil Vieira 

Para seus fãs um artista “inesquecível”, sua presença continua viva, sua obra reconhecida e reverenciada. Um grande poeta, um gênio, que tinha uma tremenda capacidade de expressar a condição humana através de uma lírica profunda e melancólica. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes — Belchior — se vivo fosse, hoje dia 26 de outubro, completaria 79 anos. Nascido em Sobral, Ceará, foi um artista multifacetado e um verdadeiro intelectual. Poliglota, dominava seis idiomas: português, inglês, francês, espanhol, italiano e latim. Aprendeu as duas últimas línguas durante o período em que esteve internado por três anos no Mosteiro dos Frades Capuchinhos, em Guaramiranga (CE). Aos 19 anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, sendo aprovado em primeiro lugar. Entretanto, no quarto ano do curso, tomou uma decisão que mudaria sua vida — abandonou a medicina para se dedicar inteiramente à música. Belchior foi, sem dúvida, um dos maiores poetas da Música Popular Brasileira (MPB). Sua força poética inovou a forma de fazer poesia cantada, combinando lirismo e contestação social. Suas letras abordam o amor, a paixão, o sexo, a arte, a liberdade, a política, a solidão, a violência nas grandes cidades, a opressão do sistema e o sentido da existência. Infelizmente, nos últimos anos de vida, Belchior foi marginalizado pela mídia, esquecido. Somente após sua morte as atenções se voltaram novamente para ele — um triste reflexo da nossa sociedade, que muitas vezes reconhece o valor dos artistas apenas depois da partida. A história de Belchior guarda semelhanças com a de outros grandes nomes da arte mundial, como Johnny Depp, Mário Quintana e Van Gogh. Cada um, à sua maneira, foi injustiçado pela crítica e pela mídia. Depp, mesmo com atuações marcantes, jamais recebeu um Oscar. Quintana, um dos maiores poetas brasileiros, viveu amargurado com a rejeição da Academia Brasileira de Letras. Van Gogh, hoje celebrado como gênio, vendeu apenas um quadro em vida — e ainda assim, a um parente, movido por compaixão. Belchior é o meu maior ídolo. Sou fã e profundo admirador da sua obra. Sua poesia vive, resiste e continua a inspirar quem compreende a grandeza de um artista que jamais se curvou aos modismos.

*Gil Vieira é Advogado, Escritor e membra da A.C.B - Academia de Cultura da Bahia. 

domingo, 7 de setembro de 2025

CLÁUDIA CALMON DE SÁ


 No comando do Grupo 

Cantagalo, fundado por seu pai, o ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá, empresária torna-se referência na produção no Sul da Bahia e agora investe na expansão da cultura para o Oeste do estado.

Fonte: Internet